30 anos sem Vinicius Parte II







Bossa Nova e Afins

Bem vindos, ao melhor da MPB.
Textos e canções.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Edu Lobo, Disco e Show

" Não sei se foi um mal
  Não sei se foi um bem
  Só sei que me fez bem ao coração
  Sofri, você também
  Chorei, mas não faz mal
  Melhor que ter ninguém no coração."

 Só me fez bem
 Edu Lobo e Vinícius de Moraes
( primeira composição de Edu Lobo)







TANTAS MARÉS- O SHOW

Apesar de já ter algum tempinho que assisti este show
não posso deixar de comentá-lo.Embora com atraso 
E tenho três boas razões para isto:
O show é muito bom,
O show ainda está em cartaz pelo Brasil
Para finalizar tem o CD que é ótimo e vocês podem comprá-lo.
Ver este show foi uma experiência única, Sesc lotado, meu amigo Zé Ernesto como acompanhante e a gentileza de Neto, gerente do Sesc que nos cedeu um belo lugar.

                                                                       
                                                                                                                                                                                                                                                                                   

COMENTÁRIOS DO SHOW, OS DETALHES PARA VOCÊS


A qualidade da musica de Edu Lobo vem de longe. Basta dizer que aos 19 anos, compunha sua primeira cancão em parceria com Vinícius de Moraes( Só me fez Bem ). Sua música mistura a Bossa Nova, os sons do frevo, do marácatu, do mar e de tudo que aprendeu entre Rio e Recife.
Vem de longe sua herança musical, de seu pai Fernando Lobo, passa pelo Maestro Heitor Villa lobos e Tom Jobim e tem suas raízes fincadas em solo brasileiro.
Neste show Tantas Marés, nome de seu último disco, desculpem o disco é hábito, conta sua história musical sem rodeios e nos conduz pelos caminhos por onde andou, as escolhas que fez, a obsessão com a qualidade e a paixão pela harmonia. está tudo lá, dito por ele e por seus parceiros e amigos que acompanharam sua trajetória.  Música da melhor qualidade, de um compositor de obras definitivas.
Sempre houve na música de Edu Lobo certa melancolia, atenuada por vezes pela vivacidade dos ritmos nordestinos, em especial o frevo aprendido nas férias passadas em Recife. Tantas Marés o disco, é impregnado desta melancolia. Talvez por isso mesmo, Edu, temperou em cena seu canto triste com comentários bem humorados. Descontraído, ele entreteu a plateia com observações e causos engraçados enquanto desfiou seu rosário de pérolas novas e antigas. Seu canto triste se engrandece em cena. a sencação era que a que todo o público que encheu o teatro saiu de lá maravilhado pela oportunidade de assistir a um  show de Edu Lobo, artista que tal qual seu parceiro e amigo, Chico Buarque, é habitualmente recluso e se apresenta pouco.





O REPERTÓRIO, BOM DE SE OUVIR

VENTO BRAVO abriu o show, o roteiro seguiu com o frevo NO CORDÂO DA SAIDEIRA. Edu Lobo revira memórias com certa nostalgia nas canções QUALQUER CAMINHO E CORAÇÃO CIGANO, destaques da safra nova.
O baião DANÇA DO CORRUPIÃO e o choro PERAMBULANDO ( uma homenagem a Tom Jobim ) já existentes no seu cancioneiro, recebem competentes letras de Paulo Cezar Pinheiro.
Porém, os grandes momentos do show, visto pelo entusiasmo da platéia, foram temas de tempos passados
CANTO TRISTE,  foi um instante sublime pelo sentimento posto pelo autor em doses exatas. PRÁ DIZER ADEUS, também se confirmou grandiosa, com direito a bis e coro entusiástico da platéia.
A total cumplicidade com a banda foi testada em A HISTÓRIA DE LILY BRAUN, onde o sax de Carlos Malta dominou e mais tarde este mesmo músico se sobressaia novamente com flauta em PONTEIO.
O Circo Místico não podia ficar de fora com CIRANDA DA BAILARINA e BEATRIZ, as duas acompanhadas pelo coro da platéia, que a esta altura estava em êxtase.
BEATRIZ, num instante mais introspectivo, só piano e voz, mostrou o que sabemos há muito tempo, a grandeza melódica da obra de Edu Lobo.
Enfim um belo show de um compositor que precisa aparecer mais nos palcos, para que o público possa apreciar mais seu canto triste de constratante leveza. 
Um acidente que resultou em uma fratura de braço e ombro fez com que Edu Lobo abdicasse do violão que toca magistralmente. Teve que cantar mais e se mostrar no palco, revelou-se o que sabíamos um excelente interprete que teve que mudar a sua postura tradicionalmente aliada ao violão e um banquinho( resquícios da Bossa Nova). Lula Galvão soube preencher com capacidade esta lacuna do violão e nós ganhamos um interprete com mais domínio do palco.
Voltar aos palcos principalmente em Santos.
Meu amigo Zé Ernesto me garantiu que a última vez que Edu esteve em Santos foi em 1975, junto de Gianfrancesco Guarnieri. 35 anos, não dá para esperar tanto tempo.
E, pelo que vimos a maré de Edu Lobo continua cheia.

A BANDA DE MESTRES

Edu Lobo chamou sua banda de a BANDA DE MESTRES e com razão, sob a lideranca do pianista, maestro e diretor musical Cristovâo Bastos. A banda incluia feras como Jurim Moreira (bateria), Alberto Continentino ( contrabaixo), Lula Galvâo (violão), Carlos Malta brilhante nos sopros e Mingo Araújo na percussão. O sexteto abrilhantou com eficiência  a música de Edu Lobo, com espaço até para alguns improvisos, uma noite para ninguém esquecer.

CRISTOVÃO BASTOS, O MAESTRO E ARRANJADOR DOS MELHORES

No show e no álbum Tantas Marés, Cristovão Bastos coloca sua competência a serviço de Edu Lobo. Compositor, pianista e arranjador, Cristovão Bastos é desconhecido para o grande público, mas é respeitado e admirado pelos melhores intérpretes, músicos e compositores da MPB. Estudou teoria musical e acordeon desde cedo, formando-se com 13 anos, tornou-se pianista profissional aos 18 anos.
Parceiro de Chico Buarque, Paulo Cezar pinheiro, Aldir Blanc, Paulinho da Viola, vem fazendo arranjos para show e discos de Nana Caymmi, Edu Lobo, Gal Costa entre outros. Fez os arranjos musicais do álbum Gal canta Tom Jobim, que resultou em belo show e dvd. Muita música que ouvimos nos dias de hoje tem o dedo de Cristovão Bastos.
A parceria de Cristovão e Chico nos deu uma única música, mas que música. Foi feita no intervalo da gravação do disco Francisco(1987) de Chico Buarque, onde o maestro era arranjador e diretor musical. Cristovão Bastos, mostrou uma melodia que havia composto e Chico gostou na hora, pediu para fazer a letra.
Pedido concedido, Chico veio com a linda de letra de Todo o sentimento.
A canção começa assim:
" Preciso não dormir
  Até se consumar
  O tempo da gente
  Preciso conduzir 
  Um tempo de te amar
  Te amando devagar                                                         
  E urgentemente"
E mais para frente termina assim.
" Depois te perder
  Te encontro, com certeza
  Talvez num tempo da delicadeza
  Onde não diremos nada
  Nada aconteceu
  Apenas seguirei, como encantado
  Ao lado teu"
Para terminar a história, uma semana depois de entregue a letra, Chico Buarque interpelou Cristovão e perguntou: " Você gostou da letra?Não sei o que o Maestro respondeu, mas não fique preocupado Chico. Nós gostamos muito...
" Todo sentimento" virou trilha sonora da novela Vale Tudo da TV Globo, em 1988.



A BAILARINA NA CIRANDA

Quem entrou na ciranda do show foi a bailarina do Circo Místico, todos estavam com saudade dela.
A ciranda da bailarina fez sucesso com o público que cantou com Edu Lobo em coro.
Esta música nasceu para o projeto Circo Místico de Naum Alves. Em uma época dificil da nossa nação, com ditadura e censura era complicado fazer música. Chico Buarque letrista desta canção era especialmente perseguido. Os censores cismavam com tudo e com pequenas coisas, no caso de A Ciranda da bailarina foi com um  "pentelho". Não permitiram que a canção saísse em disco com esta palavra.
" O padre também
  Pode ficar vermelho
  Se o vento levanta a batina                                                    
  Reparando bem, todo muito tem pentelho                             
  Só a bailarina que não tem"
No disco não podia, mas em show quando Chico ou Edu
não cantavam a palavra,
o público enchia  a boca: Todo mundo tem pentelho....
Ouvindo a música no show, lembrei que toda garotinha tem o sonho de ser bailarina, acho que por ela ser tão perfeita. Lembrei também de uma amiga que tinha este sonho e nunca teve oportunidade. Hoje nem que quisesse o joelho não deixa. Coisas da vida. Com esta canção espero compensar este sonho.




                                                                                                                

terça-feira, 20 de abril de 2010

Johnny Alf, o músico completo

" Ah! Se a juventude que esta brisa canta
  Ficasse aqui comigo mais um pouco
  Eu poderia esquecer a dor
  De ser tão só pra ser um sonho
  Dai então quem sabe alguém chegasse
  Buscando um sonho em forma de desejo
  Felicidade então pra nós seria
  E, depois que a tarde nos trouxesse a lua
  Se o amor chegasse eu não resistiria
  E a madrugada acalentaria a nossa paz."

                        Eu e a brisa( Johnny Alf)

JOHNNY ALF UM MÚSICO COMPLETO

Carioca de Vila Isabel , Johnny Alf teve formação de piano clássico, logo trocada pela influência jazzística. Foi um dos fundadores do lendário Sinatra/Farney Fan Club.
Um dos locais onde se estruturou a Bossa Nova . Já profissional da noite de Copacabana, atraiu a atenção de gente como Dolores Duran, João Gilberto e João Donato de quem se tornou grande amigo. Mais tarde suas famosas temporadas nas Boites no Beco das Garrafas, reuniram gente como Tom Jobim, Silvia Teles, Roberto menescal, Alaíde Costa, Carlos Lyra e outros.
Com apenas 11 discos lançados na sua carreira de mais de 50 anos, mantém até hoje um público fiel e continua com presíigio em alta com músicos e criticos.
Escute agora um dos clássicos da MPB, Eu a Brisa em uma gravação especial de Johnny Alf e Gilberto Gil.







JOHNNY ALF , DETALHES DA SUA VIDA

Foi por intermédio de Dick Farney e Nora Ney que Johnny Alf iniciou sua carreira profissional na Cantina do Cézar, casa noturna de propriedade do radialista Cézar de Alencar.
Sua primeira gravação foi em um 78rpm, em 1952 com a canção Falseta, de sua autoria. Esta música saiu no lado B do disco e o lado A ficou com Luis Bonfá (Manhã de Carnaval) com "De cigarro em cigarro".
Para esta gravação Johnny juntou mais dois músicos, além dele no piano, teve Garoto( Duas Contas, Gente Humilde entre outras) no violão e Vidal no contrabaixo. O grupo era arrojado para os padrões daquela época, tal qual a harmonia moderna para Rapaz de Bem ( já era Bossa Nova) composto no ano seguinte e seu primeiro sucesso.
Suas grandes inspirações eram as trilhas sonoras dos filmes musicais americanos assinadas por Gershwin e Cole Porter.
" Era o que me acendia, aquela vontade interior de criar alguma coisa. Então , quando voltava ia ao piano e fazia coisas com influência do que tinha ouvido" dizia.
Teve um conjunto com dois outros excepcionais músicos da Bossa Nova, Tião Neto, no contrabaixo( depois participou na Banda Nova de Tom Jobim) e Edison Machado eximio baterista que fez muito sucesso nos USA.
Foi com estes músicos que gravou e lançou outro grande sucesso, " O que é amar" ,com letra simples e otimista bem ao jeito da Bossa Nova. O que é amar ganhou inúmeras gravações de interprtes nacionais e internacionais como Sarah Vaughan.
Quem nunca passou por uma situação como a que conta a história da letra de " O que é amar"? E é muito bom, mesmo que algum tempo depois se torne uma Ilusão a Toa. Agora eu posso argumentar se perguntarem o que é amar..

" É só olhar, depois sorrir, depois gostar
  Você olhou, você sorriu, me fez gostar
  Quis controlar meu coração
  Mas foi tão grande a emoção
  De sua boca ouvi dizer quero você
  Quis responder, quis lhe abraçar,
  Tudo falhou,
  Porém você me segurou e me beijou
  Agora eu posso argumentar se me perguntarem
  O que é amar
  É só olhar, depois sorrir, depois gostar"

O CULT JOHNNY ALF

Johnny Alf já era cult em uma época em que não se usava esta palavra. CULT é uma admiração quase secreta, para poucos e felizes. Desde o começo dos anos 50 admirar Johnny Alf era um universo exclusivo. Das tardes do Sinatra/Farney Club para as madrugadas de Copacabana onde atraia os inovadores da música. Os criadores da Bossa Nova iam se inspirar no modo de tocar, compor e cantar moderno de Johnny.
Veio para São Paulo e para os discos, mesmo assim nada alterou a natureza exclusiva dos admiradores.
Ver e ouvir Johnny Alf é uma das grandes experiências que pode passar alguém que gosta de música.
Não é apenas um pianista, cantor ou compositor é um artista completo, que põe alma na sua interpretação.
Ilusão a toa foi o seu primeiro sucesso.

" Mas embora agora eu a tenha perto
  Eu acho graça do meu pensamento
  A conduzir o nosso amor discreto
  Sim, amor discreto para uma só pessoa
  Pois nem de leve sabes que que eu te quero
  E me apraz essa ilusão a toa."


AS CAPAS REVOLUCIONÁRIAS DA BOSSA NOVA
Cézar Villlela foi o idealizador das capas modernas da Bossa Nova. Ele criava e Chico Pereira fotografava.
Era difícil, não haviam as " ferramentas" da atual tecnologia. Era um tal de revelar, mudar, revelar sem fim...
No disco do Vinicius &Odete, os dois não puderam se encontrar para fazer a foto. As fotos foram feitas em separado. Vinicius sentado no banquinho e Odete Lara com o pé apoiado no banquinho.
Na montagem o banquinho da Odete desapareceu e deu lugar para o &.. Simples não? Talvez para hoje, mas naquele tempo era muito trabalho.
As modernas capas foram criadas por Cézar Villela e Chico Pereira e revolucionaram a arte gráfica.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

"É, só tinha de ser com você
Havia de ser pra você
Se não, era mais uma dor
Senão não seria o amor
Aquele que a gente não vê
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você"

Só tinha de ser com você
Tom Jobim e Aloysio de Oliveira



A canção "Só tinha de ser com você" foi lançada neste disco, Caymmi visita Tom e leva seus filhos Nana, Dori e Danilo. De quebra Dorival Caymmi lançou também a hoje famosa, ... Das Rosas.
O disco é de 1963 e a gravadora era Elenco.




Getz/Gilberto- Os 45 anos do vencedor do Grammy.
Álbum e Canção do ano de 1965


Hoje, quando muito se fala que este ou aquele brasileiro ganhou um Grammy é uma verdadeira festa, mesmo que seja um Grammy Latino ou World Music. Sem desmerecer nenhum destes Grammies, pelo contrário acho sempre muito bom ganharmos, porque são categorias importantes também, com muitos participantes.
Agora o gostinho bom mesmo é ganhar a categoria principal e foi isto que aconteceu com o disco Getz/Gilberto. Com canções da bossa nova de Tom Jobim e Vinicius de Moraes e duas outras de Ary Barroso(Pra machucar meu coração) e Dorival Caymmi(Doralice) com arranjos de bossa nova o disco ficou espetacular
Com muitos brasileiros participando das gravações, começando por Tom Jobim arranjador e piano em todas as canções, além de compositor da maioria, João Gilberto vocal e violão, Milton Banana na bateria e Tião Neto no contrabaixo, não ficavam atrás dos bons músicos americanos.
Destaque especial para Astrud Gilberto que estreou neste disco como cantora e não parou mais, com sua voz perfeita para estes arranjos.
O álbum Getz/Gilberto, ressuscitou nos USA Stan Getz, saxofonista premiado, estava meio apagado em sua terra natal, depois de uma temporada na Suécia. Foi perfeito e valorizou com seu sax as canções brasileiras.
Com tantos músicos brasileiros, canções brasileiras, arranjos brasileiros do Maestro Soberano (como diz Chico Buarque) o disco é puro Brasil, apesar da gravadora americana e de ter sido gravado lá.

Ganhar o melhor álbum, competindo com o que havia de melhor naquela época não é para qualquer um e sim para os nossos gênios.







GAROTA DE IPANEMA

Fazer barba e cabelo é que é bom e em 1965, nós fizemos. Além do álbum, a canção Garota de Ipanema de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, ganhou a melhor canção trazendo para o Brasil o Grammy de melhor gravação. Uma gravação competente de Astrud e João Gilberto, com acompanhamento do sax de Stan Getz, piano de Tom Jobim , na bateria Milton Banana e Tião Neto no contrabaixo. Em um momento especial esta gravação está gravada e arquivada na Biblioteca do Parlamento americano, em Washington como uma das cinquenta melhores canções de toda a nossa história mundial da música, ao lado dos maiorais. Honraria para poucos.
Agora eu vou dar um presente para vocês, na janela abaixo, aperte o play e deliciem-se com dois momentos importantes deste disco e é claro um deles é esta gravação original de Garota de Ipanema. Com certeza você já ouviu centenas de vezes esta canção, mas nunca deste modo, gravada com tanta competência.






A BOSSA NOVA NÃO EXISTIRIA SEM AS POESIAS DE VINICIUS DE MORAES

Poeta formado no ninho dos românticos e dos grandes sonetistas, Vinicius de Moraes destoa das canções dor de cotovelo da época.
Ele manipula a felicidade neste novo conceito de fazer música, não abre mão do lirismo.
Quando fala de experiências tristes, não cede ao ressentimento ou ao amargor. Consegue fazer letras românticas sem o mau gosto e o que é o mais importante sem sentimentalismo barato.
A novidade que " O Poeta" traz é muito simples a de que o amor não precisa se tornar sofrimento para ser levado a sério.
Tem certeza que um relacionamento pode ter seus dias sombrios, mas que é sempre melhor deixar o sol entrar.
A canção "Janelas abertas", de 1958 e lançada no disco "Canção do amor demais", fala sobre esta visão do Poeta da Paixão, Vinicius De Moraes:

"Sim Eu poderia ficar sempre assim
Como uma casa vazia
Uma casa sombria
Sem luz, sem calor
Mas, quero as janelas abrir
Para que o sol possa vir
Iluminar nosso amor"






A GRAVADORA ELENCO


Uma das maiores divulgadoras da Bossa Nova foi a gravadora ELENCO. Criada especialmente para lançar o novo genêro musical em 1963.
Aloysio de Oliveira, diretor artisico da Odeon, demitiu-se para criar a ELENCO. A maioria dos interpretes e compositores da Bossa Nova não tinha gravadora e a Odeon só queria João Gilberto.
A ELENCo lançou os discos de estreia de gente como Nara Leão, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Edu Lobo, Astrud Gilberto, Baden Powell, Menescal e Maysa.
O disco de estreia da gravadora foi " Vinicius & Odete Lara".
Vejam abaixo a capa diferente, mas isto é assunto para outro dia, quando vou abordar outra inovação da Bossa Nova, as capas. falarei sobre a criação destas capas com as devidas explicações.








quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Bossa Nova , a época de ouro da MPB


"Eu já me acostumei a viver sem seu amor,
mas só não consegui viver sem ter saudade."


Minha saudade


João Donato e João Gilberto






JOÃO DONATO

Dois clubes de música faziam sucesso no Rio de Janeiro na década de 50, o Sinatra/Farney Club e o Hymes/Lúcio Club. Eram clubes rivais, se você fizesse parte de um não poderia participar do outro.
Entre os frequentadores do Sinatra/Farney estavam João Donato, Nora Ney, Johnny Alf, Carlos Manga, Billy Blanco e Vinicius de Moraes, a lista era enorme, eles apareciam por ali para cantar o que quisessem e mostrar suas novas composições. No Hymes/Lúcio os frequentadores seguiam o mesmo padrão.
João Donato era o único que estava nos dois, porque queria ficar antenado com as coisas novas e também porque tinha seguidores nos dois. Certa vez desconfiaram dele, que traia um e o outro, mas a denúncia não seguiu em frente. Nenhum deles queria perder o talento de João Donato.
João Donato começou no acordeon, mas tornou-se, pianista, compositor e arranjador de sucesso, um dos que estava no inicio da Bossa Nova. Aperte o play e delicie-se com piano e voz de João Donato.







EU TE AMO

Tom Jobim recebeu uma encomenda de Arnaldo Jabor, o cineasta queria uma canção para seu novo filme "Eu te amo". Tom aceitou, fez a melodia e deu para Chico Buarque colocar letra. Em um processo lento, Chico ia desenvolvendo a poesia.
A história da música passava pela dificuldade do protagonista deixar aquele amor, depois do muito que viveram juntos, ele não queria e se agarrava em algumas argumentações como os versos da segunda parte.
" Ah, Se ao te conhecer
dei para sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir."
Estes versos chamam a atenção de Chico, depois de pronto, ficou pensando de onde havia tirado a ideia " queimar navios" para não ter como ir embora.
Telefonou para seu pai o historiador e escritor Sérgio Buarque de Holanda e indagou:
Quem queimou os navios para não ter como ir embora? Sabia que já tinha ouvido esta história.
Seu pai respondeu: Francisco Pizzarro, conquistador do Peru, havia queimado seus navios para que os seus marinheiros não o abandonassem.
Curiosidade satisfeita Chico terminou a letra em tempo hábil. O filme foi feito, fez sucesso e a música de Tom e Chico não ficou atrás.
Já aconteceu de você "queimar navios" para não deixar um amor? Provavelmente sim, mas as vezes não dá resultado e você tem que sair de qualquer maneira, mesmo que seja a nado e sozinho.



uma encomenda
Chico Buarque e seu pai Sérgio

terça-feira, 21 de julho de 2009

O Melhor da Bossa Nova



" E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade

Meu amor"





Corcovado de Tom Jobim





Alô amigos , fãs da Bossa Nova que sonharam e continuam a sonhar com aqueles bons tempos, que tiveram romances que começaram e terminaram ao som da bossa nova( sem saudosismo) apenas uma nostalgia gostosa. Amigos da boa música este disco ( capa ao lado) é uma raridade, com excelentes versões que fizeram parte do TOM JOBIM THE COMPOSER OF DESAFINADO vencedor do Grammy de 1963
Ganhei de uma querida amiga e guardarei para sempre com muito carinho.Deste disco destaco AMOR EM PAZ executada com maestria por Tom jobim ao piano.
A SEMANA
Esta semana teremos muita boa música, vamos ter Corcovado com Astrud Gilberto do disco de 1963, GETZ/ GILBERTO, Amor em Paz com Tom Jobim no piano do disco TOM JOBIM THE COMPOSER OF DESAFINADO, que ganhou o Grammy em 1963, João Donato com Até quem sabe, que no final da década de 50 era uma melodia sem letra que chamava-se You can go.
E muito mais.